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"A questão do filho do presidente da FAF deve ser tratada com seriedade"...

Dinho Soares, jornalista e comentador desportivo aborda o assunto com profundidade

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Batunews15 abr 2026, 14:41 · 2 min de leitura · 1 080 leituras
"A questão do filho do presidente da FAF deve ser tratada com seriedade"...
A questão do filho do presidente da FAF deve ser tratada com seriedade, mas também com maturidade institucional. 

Há um ponto que deve ser reconhecido com honestidade: em muitas organizações, especialmente em períodos e contextos de transição ou fragilidade institucional, surgem actores informais que ajudam a desbloquear processos, melhorar procedimentos administrativos ou apoiar decisões. Se o filho do presidente tem, de facto, contribuído positivamente para a dinâmica interna da FAF, isso não pode ser ignorado. O problema não está na utilidade - está na legitimidade.

Sob a liderança de Alves Simões, eleito  para liderar um mandato de reforma e reorganização estrutural da FAF, qualquer impressão de promiscuidade entre relações familiares e funções institucionais ganha naturalmente maior impacto público.

Quem exerce funções, quem influencia decisões, quem tem acesso à informação, tem de estar claramente identificado, formalizado e sujeito a regras. Caso contrário, cria-se uma zona cinzenta onde há influência… mas não há responsabilidade. E isso é perigoso. Num Estado de direito e numa federação filiada à FIFA e à CAF, não basta “ajudar” ou “resolver problemas”. É necessário ter enquadramento funcional claro. Caso contrário, um dos riscos é potenciar situações de conflito entre PODER DE DIREITO, detido pelos vice-presidentes de direcção e os membros eleitos ou nomeados, e PODER DE FACTO, exercido indevidamente pela figura omnipresente por via da influência pessoal, como aparenta ter acontecido no episódio ocorrido no Estádio 22 de Junho, no passado sábado.

Importa dizer que este problema resolve-se com liderança, não com silêncio ou autoritarismo.

No nosso entendimento existem três alternativas:

Essa função não existe —  nesse caso deve ser afastado de qualquer intervenção.

Existe, mas de forma informal — e isso deve terminar imediatamente.

Existe e é útil — então deve ser institucionalizada, com clara atribuição de funções, competências e prestação de contas, através da nomeação para o cargo de Assessor, Consultor ou Director de Relações Institucionais. 

Sem deixar espaço para ambiguidades e interpretações duvidosas ou acusações de excessivo protagonismo de elementos estranhos à estrutura directiva da FAF. 

No futebol moderno, garantir um ambiente de confiança é tão importante como ganhar jogos. 

Em síntese, não se trata de atacar pessoas... Trata-se de proteger a instituição FAF e o futuro do futebol angolano.

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